Você já parou um instante diante de sua mesa e analisou o que estamos vivenciando atualmente? Será que estamos buscando cada vez mais certificações e títulos para mostrar que nosso trabalho tem qualidade? Ou para colocarmos em nossos currículos uma variedade de siglas e concorrer para ver quem tem mais “dessas” ao concorrer a uma vaga de emprego? Não sei qual alternativa você respondeu, mas a realidade é essa que se apresenta. A concorrência no mercado de trabalho e até mesmo entre empresas está acirrada. A palavra “qualidade” é freqüente em conversas informais e também em reuniões de fechamentos de metas. Mas qualidade não é uma nova moda, embora muitos pensem assim. Você já ouviu algum gerente de desenvolvimento falar em cúbito? Calma caro leitor, Cúbito não se trata de mais uma metodologia no mercado, não é necessário sair desesperadamente em busca de como utilizar mais essa ferramenta. Segundo relatos históricos, Cúbito era um padrão de medida de comprimento. Correspondia ao comprimento da medida do braço do faraó reinante. A cada troca de faraó a medida precisava ser atualizada. Caso o responsável por alguma construção efetuasse uma medição com erro, poderia ser punido com a morte. Pode-se ver a preocupação, com o rigor nas construções das pirâmides. Os egípcios obtiam a precisão na ordem de 0,05% [Juran e Gryna, 1998]. Mas tudo isso para falar que qualidade não é um assunto novo. A mais de quatro mil anos já se falava em qualidade, mas é claro que hoje o funcionário que não trabalhar com qualidade não será punido com a morte, mas a empresa em que trabalha poderá perder espaço no mercado e sim causando seu desemprego. Manter a qualidade em desenvolvimento de software não é uma tarefa muito fácil. Muitos acham bonito a palavra “qualidade”, talvez por ela ser intuitiva, ou mesmo porque sempre cobramos qualidade nos produtos ou serviços que adquirimos. Podemos citar como marcos da qualidade a revolução industrial, o controle estatístico da produção na década de 1920, o surgimento de organismos ligados à qualidade como a ABNT(Associação Brasileira de Normas Técnicas, ISO (International Standardization Organization) na década de 1940 e também o Japão com o surgimento de diversos métodos de qualidade. Voltando para os tempos atuais, com todas essas experiências passadas, metodologias precisam ser aplicadas para que qualidade não seja igual a burocracia. Implantar em demasias formulários e controles não significa que a empresa está trabalhando e oferecendo qualidade. Para evitar isso, é importante a empresa avaliar criteriosamente uma metodologia e que esta seja coerente com seu perfil e seu produtos. Em desenvolvimento de software, é muito importante a maturidade de seus processos, tanto processos de desenvolvimento como organizacionais e sempre com o foco na satisfação do Cliente. Antes de buscar uma certificação, certifique-se que sua empresa está suficientemente madura para trabalhar seguindo um fluxo consistente de processos, dica: Não utilize a certificação em qualidade tendo o principal foco “marketing”. Para produzir softwares é necessário disciplina, estar atento a importância em garantir qualidade nos requisitos, ter um controle de todos os processos de desenvolvimento e principalmente métrica, ou seja, medir o fluxo de trabalho. É fundamental ter números e informações que indiquem a realidade. Uma prova disso é o acompanhamento dos erros e falhas. O software apresentar erros ou falhas durante o desenvolvimento não significa que está faltando qualidade, mas se os erros não forem observados, tratados, medidos e chegarem aos clientes, então é um dos sintomas da falta de qualidade de desenvolvimento.
Um comentário:
legal
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